Aqui estou olhando pra bagunça do chão do quarto, com as coisas espalhadas esperando que elas se organizem por si só como mágica...
Com a mudança vem o estresse. Definitivamente a Ana Livia calma, tranquila não mora mais em mim, to a ponto de ter um colapso nervoso... são esses 27 anos pesando nas minhas costas como 57, melhor 87... A pressão da mudança trouxe a tona traumas, dores, medos... coisas que estavam escondidas no baú dos meus pensamentos, e vieram todas ao mesmo tempo... me envelhecendo 50 anos em uma semana...
Fico aqui, olhar fixo pro chão, tentando adivinhar quais são as palavrinhas magicas pra fazer tudo se arrumar no chão e na minha cabeça.
Começar de novo da um medo, e sinto como se fosse começar pela primeira vez, porque agora é tudo a primeira vez, a primeira mudança, a primeira casa, a primeira vizinhança, a primeira vez morando definitivamente junto com alguém...
E quem não lembra do frio na barriga que deu no primeiro beijo, na primeira menstruação... é esse frio na barriga que to sentindo e que não me deixa em paz por um segundo... Afinal, é a primeira vez que to virando gente grande, e como toda primeira vez, não tem volta!
Ai, vem todos os traumas a tona... os medos... as inseguranças e da vontade de sumir.
Ontem sai no por do sol pra dar uma volta de bicicleta, colocar os pensamentos em ordem, mas ja tem 24 horas que eu voltei do meu passeio e os pensamentos ainda estão em plena desordem... Já fiz 1000 listas, já discuti o relacionamento 30 x, já tomei uns 10 banhos frios, já contei até 1000000 e nada... não tenho certeza de nada, não sei de nada... só sei que crescer é coisa de gente grande...
E quando eu tento ser gente grande acabo sendo chata, má, egoísta... Será que da pra ser gente grande com um pouquinho de criança ainda viva dentro de mim? É muito difícil encontrar o equilíbrio da vida, dos sentimentos... é muito difícil não acabar sendo exatamente aquilo que você disse a vida toda que não seria... é muito difícil não cometer os mesmos erros de nossos pais... é muito difícil não cometer erros...
Nossa, que papo pesado... todo mundo vai ler isso e querer me internar... mas quem não tem um pouco de louco não tem nada... Lucidez demais incomoda e enlouquece...
Hoje tava conversando com uma moça francesa, falando sobre a experiência de morar nos EUA... e juntas falamos "tortura mental"... é verdade... no Brasil não tinha muito tempo pra pensar no futuro, no passado, nos traumas... vivia o presente e ele me agradava. Aqui não há presente, só há passado e futuro. Quem veio pra cá de um outro país veio pensando num futuro melhor, quem mora aqui pensa em construir um futuro pros filhos, pra família... e assim vai se vivendo, pensando demais, pensando além e quase esquecendo do hoje...
Vejo na pracinha onde levo o bebe pra passear, as mães sempre unidas, falando dos planos dos maridos, dos planos pros filhos, dos planos de viagem, todas de costas pros filhos que brincam ali mesmo pertinho delas, que choram e elas não olham, que passam 10 minutos gritando manheee, e elas nem dão conta que estão perdendo o presente, estão perdendo aqueles momentos preciosos da pracinha, do dodoi, do colinho, da atenção...
Lembro que adorava, quando criança, chamar minha mãe de 5 em 5 minutos só pra dizer que a amava, e é claro que ela sabia que aquele manheee era só pra isso, mas ela nunca ignorou mesmo sabendo que não era nada sério, ela sempre olhou.
Acho que são essas fortes lembranças de uma infância tão gostosa, rodeada da minha família que não me deixa endurecer o coração e me deixa aqui parada olhando pras coisas no chão como se elas fossem meu futuro que eu não aprendi a organizar, misturado com a dor da saudade de um passado que não volta, rodeada de um presente doloroso que vivo sozinha num país onde todos só vislumbram o futuro.
Não sei por onde começar a arrumar. Não sei por onde começar a crescer.
É, amiga, crescer é uma merda... dá um trabalho, dói... mas fiquei sabendo que depois é legal. Estou passando mais ou menos pelo mesmo processo de crescimento. Ser criança dá menos trabalho, né? Mas, fazer o quê? Ser criança depois dos 25 vai ficando esquisito... hehehe Tá na hora mesmo. Foi com 27 que eu terminei de crescer (comecei com 22, sou lentinha hehehe). Ô idadezinha!!! Beijocas!
ResponderExcluirFilha, tenho meio século e continuo crescendo,se parar, a vida não tem graça...
ResponderExcluirQuantas vezes eu comecei de novo?Força que td se ajeita.Beijão
Entendo o que está a passar. Penso muitas vezes nisso e é por isso que quem me dera ficar para sempre com 15 anos. Não quero descobrir que a vida não é um mar de rosas e que nem sempre conseguimos realizar os sonhos. Acho que se não viver-mos o presente a vida vai passar em branco e quando dermos conta disso será tarde de mais. Dizem que nunca é tarde de mais para nada, mas ás vezes é! Por isso, antes que seja tarde de mais começe, aos poucos, a construir a vida que sonhava, quando era essa criança. Sei que pode não ser fácil, mas é possivel. Não sou a melhor pessoa para estar a dizer isto, afinal só tenho 15 anos, mas espero que ajude!
ResponderExcluirBeijos e muita força