domingo, 30 de novembro de 2008

Rótulos... porque nós não somos mercadorias...


Sempre que me deparo com essas perguntas dos sites de relacionamento "Quem é você?" começo minha viagem mental no "ser ou não ser"... O que se espera que se coloque nessa pergunta??
A sociedade nos carimba com os rótulos e papéis sociais que já começam ao nascer: menina ou menino? o quarto azul ou rosa? bonecas ou carrinhos? vestidos ou calças? lacinhos ou bonés?
E a resposta que todos esperam de vc é que vc se adeque exatamente ao que lhe está reservado, mesmo antes de nascer... que vc, enfim, seja mais uma pessoa rotulada na vitrine do mundo, assim vc não incomoda os olhares alheios, não causa impacto no meio ambiente das vidinhas perfeitas que circulam por ai...
Então quando vejo o "quem é você?" estampado em todo site de relacionamento, me pergunto: será que tem alguém realmente querendo saber quem eu sou?
A resposta é óbvia: não.
Ninguém quer saber quem vc é, ninguém quer que vc se pronuncie, ninguém quer ter que pensar o porque de todas as pessoas serem diferentes... mas pra melhorar esse medo, a sociedade criou suas armas... os rótulos!
Carnivora, Vegetariana, Vegan??
Heterossexual, homossexual, bissexual, simpatizante, transsexual, travesti, metrosexual??
Democrata, republicano, comunista, socialista, liberal, extrema esquerda, extrema direita??
Hippie, patricinha, mauricinho, social, esporte fino, passeio completo, básico??
Naturista, urbano, bicho grilo??
Cristão, Mulçumano, Judeu, Budista, Ateu???
Por que temos que nos encaixar em alguma palavra já dita, em algum poema já declamado, em alguma história já escrita, em algum rótulo de supermercado?
Porque eu tenho certeza que enquanto você lia, você se encaixava, a carapuça entrava, o rótulo colava na sua testa... mas não se sinta mal, também entra pra mim... entra pra todos... Já estamos tão acostumados a vestir os rótulos que esses já estão tatooados em nós.
Perigoso isso... perigoso demais... pois a partir do momento que nos encaixamos em algum lugar, queremos automaticamente defender esse lugar e fechar os olhos pros outros espaços, pra diversidade...julgando impunimente, ficamos grandes, nos sentimos Deus de nós mesmos, Deus do nosso espaço e apedrejamos sem pena os que pensam diferente...
Não quero mais ser nada disso, não quero estar rotulada, num espaço qualquer, lutando por uma causa de olhos fechados... Lutemos de olhos abertos, lutemos sim, de coração aberto, lutemos prontos pra escutar, pra abrir as portas, as janelas, os livros, a mente...
Sejamos muito mais que palavras, sejamos sentimentos.... Não nos deixemos virar a mercadoria que a sociedade tenta vender, vamos fazer diferente, vamos variar, vamos escrever nossa própria história, declamar nossa própria poesia...
Pra pergunta dos sites de relacionamento, a resposta é: cada dia um novo visual, cada dia um novo sabor, cada dia uma nova aventura... quem poderá dizer quem sou eu?

sábado, 29 de novembro de 2008

Testando a rabanada....balanço do thanksgiving



Tenho que dividir com meus queridos leitores que eu testei a receita da rabanada... e ta la na geladeira, se alguém quiser uma provinha...rs
Como estou em alta altitude e no deserto, tive que deixar ela de molho na mistura do leite condensado mais do que o normal.. pq aqui cuspiu pro ar, o cuspe não chega nem no chão...
Mas foi um sucesso total com meu amor... ele amou e se empanturrou...

Mas ATENÇÃO moradores dos EUA que forem tentar, atenção com o pão... aqui não tem pão de rabanada, então comprei uma baguete de pão no Whole foods, que é uma delicia, mas a casca muito dura, então depois de pronto ficou bem crocante na casca... to pensando em descascar o pão da próxima vez... apesar de que o crocante da casca também é uma deliciaaa...rs

Meu thanksgiving foi dividido em dois... um almoço na quinta com a família do Tony e uma janta na sexta com os amigos daqui do Camping onde moramos...

Na quinta o almoço foi horrível, fomos todos pra um hotel, onde o buffet era só o coitado do peru, pure de batata e salada... tava tudo intragável (claro que não comi o peru)... então pagamos 50 dólares por 2 pedaços de torta, 1 coca cola e 2 chás... ainda saí de la com uma fome... foi aí que testei a rabanada, nada melhor pra inspirar na cozinha do que a fome...rs

Ja ontem o jantar foi ótimo, nossos amigos são vegetarianos e a janta foi muito agradável... comi um peru de tofu, ou um tofu em forma de peru?!?! rs tudo bem caseiro..delicioso... fiz meu caldo verde pra complementar na comida ja tradicional do thanksgiving e todo mundo adorou!!! Depois da janta jogamos banco imobiliário por horasss...

A neve já parou de cair, mas continua no chão... a foto que vocês estão vendo ai é aqui pertinho de casa, tiramos no dia do thanksgiving, quando estavamos voltando pra casa do hotel onde almoçamos... a paisagem estava tão linda que tivemos que parar pra fotografar... e o tony exigiu que eu colocasse a foto aqui pra dividir com vcs a alegria dessa linda paisagem...

Bom final de semana pra todos...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

(Happy Thanksgiving!!!!!!!!!!!) - A magia do silencio!




Meu primeiro thanksgiving e adivinha so???

Ta nevandooo!!!!!
Ta tudo branquinho, coberto de neve... acordei, e da nossa cama dava pra ver a neve, achei tao surreal...eu carioca da gema acordando com neve na janela... ainda ontem o sol penetrava tao forte o meu quarto que tinha que fugir pro quarto da minha mae... agora esse branco todo...
A cor branca so poderia ser simbolo da paz mesmo, porque essa e a sensacao que tenho...paz...tanta paz que da ate medo...rs...o silencio das montanhas com o silencio da neve com o silencio do frio...os animais, antes barulhentos por aqui, estao quietinhos...
Tomei meu chocolate quente (o toddy que eu comprei na loja brasileira...rs) olhando pela janela e desejando que eu pudesse dividir esse momento com as pessoas que amo, porque e muito lindo mesmo... Parece que Deus ta fazendo carnaval la em cima e ai toda aquele confete branco cai na gente em forma de alegria, graca, amor... Perfeito pra esse inicio de nova vida!!
- 3ºC la fora... acho que nunca estive em tamanho frio antes.. a neve cai constantemente e cada olhada que dou na janela mais um galho de alguma arvore se cobre de neve e desaparece na paisagem...

Antes de conhecer o Mount Charleston, eu pensava com a minha ignorancia romantica sobre o Rio de Janeiro achava que o unico lugar que inspirasse poesia era Ipanema, suas ruas, sua praia, as pessoas caminhando, todas tao diferentes, livres e um ar de Vinicius de Moraes, Tom Jobim....
Agora vendo toda essa neve, toda essa natureza, todo esse silencio... encontro poesia no vento, nos flocos de neve, nos galhos das arvores... a poesia se expandiu na minha vida... eu que vivia de uma poesia urbana, praiana... me deparei com a beleza da poesia do silencio... o silencio por si so faz a poesia, ele por si so coloca as ideias na minha cabeca e de tao perfeito e seguro que tudo parece nao preciso gritar a poesia, declamo-a atraves do olhar, dos meus abracos, dos meus gestos...

Que poeta silenciosa que me tornei, que revolucionaria quieta... mas pra quem gritar? mas pra que gritar? pra que falar quando o silencio fala mais? pra que falar quando as respostas ja estao nas perguntas?
O que nos faz tao ignorantes e nao parar pra ouvir o silencio e poder tirar dele nossos mais profundos pensamentos, aqueles que estao guardados a 7 chaves e que neles contem as ideias que mudarao o mundo... o bla bla bla, as buzinas, os elevadores, o despertador, o celular, a TV distraem a gente do amor que temos a oferecer...
Desejo a todas as pessoas que o comemoram um otimo Thanksgiving e a todos que nao comemoram uma otima quinta feira... que vcs possam apreciar pelo menos 10 minutos de silencio hoje....

PS. Desculpa a falta de acentuacao, to no computador do Tony!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Saiba

Video que fiz com a musica de Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhoto. Só prestar atenção na letra da música que eu não preciso escrever mais nada!!

Uma pesquisa antropológica: As mulheres e a maquiagem!


Olhando pras mulheres por aqui fico com essa sensação de que não me enquadro... não sei se é pela falta de maquiagem ou por excesso de amor nos meus olhos...
A mulherada aqui já acorda maquiada, as vezes se vestem muito mal, mas estão maquiadas, na academia, no mercado, caminhando ou na festa mais chique da Strip, elas estão sempre muito maquiadas.
E eu que nem sei colocar um blush fico desnorteada no meio desse baile de mascaras... Minha mais nova amiga Adélia, brasileira, carioca de Duque de Caxias, já adaptada ao estilo americano de ser, me disse uma vez que preciso comprar umas maquiagens pra mim, que ela mesma não sai sem um blush ou um gloss... claro que a maquiagem da Adélia é levissima perto da maquiagem dessa mulherada americana...
Mas o que realmente me intriga é pra que colocar maquiagem pra malhar???
Chego na academia e começo minha viagem antropológica pelo mundo das mulheres... porque aqui a sala de malhar é separada: a dos homens e a das mulheres... eu acho isso muito "gay"..rs... mas tudo bem, tentei quebrar as regras e malhar com os homens uma vez, mas realmente eles estão tão desacostumados a ter mulher por la que não havia como eles se concentrarem em algo mais que não fosse minha bunda...rs
Afinal, uma mulher branca com uma bunda desse tamanho, só no Brasil mesmo...
Mas, bundas a parte, a maquiagem pra malhar deve ser especial, porque ou elas não malham direito ou a maquiagem é especialmente feita pra não derreter na sua pele... e elas entram com a maquiagem na piscina também... alias, elas vão de salto e biquini até a beira da piscina, e eu la com a minha havaiana...
O vestiário, enfim, é um show de horrores. Eu tenho uma teoria que ninguém é bonito pelado a não ser que tenha passado pelo photoshop da Playboy ou que os olhos que estejam observando sejam olhos apaixonados... e aqui o vestiário da academia é um desfile de nudez total, e maquiagem, é claro... Porque, por incrivel que pareça, elas não tiram nunca a maquiagem, e as vezes chego a acreditar que ta tatooado no rosto delas...
Bom, mas comecei a falar nesse assunto porque hoje pela manhã conheci a namorada do meu sogro, uma filipina na faixa dos 40 anos... eles me convidaram pra um café da manhã e eu coloquei meu jeans com minha camisa de manga comprida preta, jaqueta e tenis... quando ela saiu do quarto tomei um sustooo... o cabelo todo feito, maquiagem impecavel..Como ela conseguiu fazer isso em 15 minutos??
Diante de tantas reflexões que passavam pela minha cabeça, como a de que é muito curioso que todos os homens dessa família namorem mulheres de outros países, continuava a tentar desvendar o mistério da maquiagem perfeita... quando me dei conta da comida que chegava na mesa...
Bacon, hamburguer, ovos, salsicha... eu só bebi um copo de água e cheguei a conclusão antropológica sobre a maquiagem:

Eureca! Elas precisam de tanta maquiagem porque com essa comida não ha pele que resista!!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Rabanada da minha avó....


É claro que com o natal se aproximando me bateu aquele sentimento de como viverei sem as rabanadas da casa da minha avó?!
Natal não é lá o meu forte já que familia é um assunto complicado quando se tem pais separados... ter que escolher entre passar o natal com uma família ou outra sempre foi um super problema na minha cabeça... Principalmente porque meu pai não mora no Rio de Janeiro... e meu pai também tem um apelo emocional que se chama Gabriela e Beatriz... Como não querer passar o natal ao lado dessas duas princesas??
O apelo da família da minha mãe são as rabanadas da casa da minha avó... e mesmo quando não passava natal com ela pedia pra que guardasse as rabanadas pra mim, porque afinal elas ficam ainda melhores geladinhas no dia seguinte, ou uma semana depois...rs
Hoje, tive que pedir a receita, porque vou ter que fazer pela primeira vez minhas próprias rabanadas... é nesses momentos que cai a ficha de que estou casada...rs
Temos que saber lidar com os ganhos e as perdas na vida, porque eu perdi as rabanadas, mas ganhei meu primeiro natal com neve... deve ser lindo poder passar o natal com neve e não suando bicas, com 10 ventiladores ligados...
A cidade já está toda enfeitada pro Natal, mas eu ainda to me acostumando com a idéia... e não comprei nenhuma decoração, nada, nadinha...nem acho que vou comprar... ainda to me acostumando com a idéia de que agora posso criar meu próprio natal...
Mas de uma coisa eu tenho certeza: as rabanadas ficam! Nem que meu natal seja só um prato cheio de rabanadas, elas ficam!
A pedido da minha mãe, segue a receita da minha avó, quem quiser tentar também, fique a vontade...

Rabanada da Vovó Nicéa

Igredientes:

Pão dormido (1 baguete grande)
1 lata de leite condensado
2 latas de água
10 gotas de baunilia
3 ovos
Pitada de sal
Óleo pra fritar
Açúcar e Canela a gosto


Modo de Preparar:

Cortar o pão em fatias medias um dia antes de fazer o resto da receita. Misturar o leite condensado, a água e as 10 gotas de baunilia. Molhar as fatias rapidamente e coloca-las pra escorrer em papel de chupar gordura. Bater as claras em neve com as gemas e uma pitadinha de sal. Pegar as fatias de pão ja molhadas e escorridas da primeira mistura e molhar na mistura dos ovos. Fritar em Óleo quente. Secar novamente em papel de chupar gordura. Salpicar Açúcar e Canela a gosto.
Espero que todos apreciem uma boa rabanada nesse natal.... E que Deus abençoe todas as mesas com muita fartura...

domingo, 23 de novembro de 2008

Nova vida, novo domingo... Mexico X Brasil

Decidi começar a escrever pra não enlouquecer... Afinal, escrever sempre foi o meu forte mesmo... gosto muito de me expressar através das palavras...
Enlouquecer??
Pois é, mudar de vida não é nada fácil... depois que mudamos é que percebemos o quanto as coisas simples fazem uma falta... Todo domingo, por exemplo, me sinto um pouco assim triste... falta de ir a feira em frente de casa...
Ve se pode? Passei anos da minha vida reclamando que tinha que ir a feira, reclamando da sujeira, do cheiro de fritura, do engarrafamento em frente do prédio, das buzinas.... e agora, todo domingo de manhã, me da essa saudade, essa vontade de chorar, que não tem explicação...
Domingo... ah, domingo... da até saudade dos programas idiotas da TV...
Minha vida, era sim, um bocado simples... mas eu nem era de reclamar, porque sou uma carioca que gosta de ser carioca, que aprecia o Rio de Janeiro e tudo que a cidade oferece... Por exemplo, eu quase nunca ia a praia, mas eu gostava de saber que ela tava la, paradinha, pertinho do metro, com a sua areia, o seu mar, a sua brisa e o seu sol... só me esperando...
Agora, pleno domingo, acordei com um frioooo, mas olhei pela janela e la tava o sol, bunitinho, o mesmo sol que brilha em qualquer parte do mundo, o mesmo sol que acordou minha mãe no Rio de Janeiro e que me acorda aqui no Mount Charleston, e pensei alto: Vamos a praia!
Claro que meu amor riu de mim... um frio de bater queixo, a gente longe da praia e eu só pensava nisso a manhã inteira...
Me levou pra uma feira mexicana, me senti na Uruguaiana falsificada, uma confusão sem tamanho... criança, jovem, adulto, idoso... cachorro, gato, papagaio, piriquito... video game, calça jeans, televisão, creme antirugas, manga, uva e abacaxi... de tudo tinha...música alta, escandalosa, o sol, o asfalto, o burburinho... me deu uma canseira... não comprei nada! Sei lá, não tava inspirada pras compras hoje... estava mais atordoada do que inspirada... afinal, depois de 3 meses de Mount Charleston a Uruguaiana mexicana parecia praça de guerra no Afeganistão...
Acho que o Tony ficou desapontado de eu não ter comprado nada, acho que ele queria que eu tivesse gostado mais do que gostei... mas a verdade é que com a saudade que to sentindo da minha feira de frente de casa, bem brasileira, com meu caldo de cana com pastel... não dava pra encarar uma feira mexicana com burritos e churros e não pensar que seria muito mais agradável se aquela musica ao fundo fosse um samba e se aquele povo todo falasse portugues...
Mas eu gostei, e vou explicar porque gostei da feira mexicana: gostei porque as pessoas são verdadeiras... Pude ver e ouvir gritos, fofocas, beijos, abraços, choros, carinhos, brigas... tudo em alto volume...coisas que a gente não ve no Walmart ou na Target... coisa de latino, sabe?! Dramaaaa!!! hahaha Que saudade do dramaaa... rsrs
Não que o drama brasileiro se aproxime do drama mexicano... mas latino que é latino gosta de um drama... rs
Eu também peguei uma implicancia mexicana aqui, que eu nem tinha antes, mas é que aqui em Las Vegas tem muito mexicano, e é claro que todo americano pensa que eu sou mexicana e mesmo quando eu falo que sou brasileira, eles ainda me AFIRMAM que eu falo espanhol... quando eles não acham que o Brasil fica em qualquer lugar do ladinho da Guatemala...(rs)... Pensando bem, eu não deveria ter implicancia mexicana pq são os americanos que me confundem e que não sabem onde é o Brasil... rs... mas mesmo assim peguei implicancia... Poxa, eu não sou mexicana e não falo espanhol... acho que vou fazer uma camisa e andar por ai com ela...
De mais o final da tarde foi interessante, pois o Tony tentou me ensinar a dirigir (tentou...pq conseguir é outra história...), até que me sai bem, não bati a caminhonete, nem atropelei ninguém...só morri com o carro umas 10x...(mentira só 2x)... To amando a idéia de dirigir, e to amando aprender com o Tony, porque ele é muito paciente, nunca levanta a voz, sempre me explica tudinho e no final sempre me elogia e me enche de beijo... quer melhor instrutor que esse? E nem to pagando... hahaha
Esse foi meu novo domingo, na minha nova vida...