"Acho que sou escritor porque tenho tido muitas aventuras. Como lemos desde pequenos em biografias e almanaques, todo escritor vive metido em grandes aventuras, caçando búfalos, lutando boxe, morando entre os esquimós, pegando em armas pela liberdade da Grécia, dormindo com a Marylin Monroe e enchendo a cara em companhia de Fidel Castro." (J.U. Ribeiro no livro "O Rei da Noite") * livro que minha cunhada e meu irmão me deram de presente de natal, que salvou minha vida nesse último mês, me fazendo dar boas gargalhadas... Agradecimento especial a eles *
É verdade, se escrevo, escrevo porque vivo grandes aventuras... não caço búfalos e nem tive a grande sorte de beber com o Fidel, mas vivo as minhas aventuras cotidianas que são alimentadas pela minha loucura genética (desculpa mãe e pai, mas vamos combinar que ou vocês assumem que me passaram essa carga genética ou vocês assumem que me deixaram cair do berço)!
Sim, porque além das aventuras, tem a minha imaginação que faz tudo ficar ainda mais louco do que já é... Por exemplo as intermináveis entrevistas pra ser baba...
Com a falta do que fazer resolvi que deveria passar meu tempo cuidando da criançada alheia... bom, a gente pede daqui e pede dali pra um amigo indicar, pra alguém que conhece fulano, que é amigo de Sicrano que pode dar um qi(quem indica) pra eu conseguir uma entrevista com uma tal fulana que tem 10 filhos e quer me pagar 2 dollares a hora pra ver os filhos dela se matando, comendo porcaria e assistindo Disney Channel por 10 horas consecutivas.
Ok! Eu dei uma exagerada... mas não posso deixar de contar aqui o episódio de algumas semanas atrás, quando uma moça me mandou um email e toda gentil pediu pra que eu olhasse os filhos dela, 3 meninos adoráveis, e ela tava até topando pagar 8 dollares a hora, e eu só tinha que dar uma "limpadinha" na casa de vez em quando. Moça educada, sabe?! E a minha imaginação começou a viajar na maionese, pensando: ai que legal, encontrei alguém legal, vou me divertir com os meninos... - Eu e a minha inocência!!
Falei com o Tony, que sempre desconfia de tudo e de todos, e me disse que eu só iria pra entrevista na casa da mulher se fosse com ele do lado. Ok. Marquei pra um dia que ele não trabalhasse e lá vamos nós!
Chegamos na rua, e o Tony passou direto pela casa da fulana: - quero ver a como é a vizinhança! - Boa ideia. Demos umas voltas nos quarteirões, resultado: 3 carros de policia, um grupinho de moleques usando drogas, briga de casal no meio da rua... coisas lights! E o gringo aqui já tava dando ataque de perereca: Aqui você não trabalha! Vamos embora!
Eu, é claro, achei muita falta de educação marcar com alguém e não comparecer só por causa da vizinhança, fui logo lembrando a ele que eu trabalhava na favela...pooo!!
Entramos na casa, e eu queria ter uma crise de riso... a casa era 10 x pior que a vizinhança, aliás era pior que na favela... Uma mansão de grande, mas imunda, cheirava a comida estragada ou bicho morto com mofo... sei lá... A moça nos recebeu com seus 120 kilos e ficamos sem saber onde ir ou sentar, porque tudo tava sujo, cheio de roupa espalhada, brinquedos...
A moça nos levou pra um dos quartos, onde ela informou que ali dormia ela, o marido dela, as 3 crianças, a mãe e o irmão. Porque nos outros 3 quartos tinha uma bagunça que ela nunca tinha tempo de arrumar, então todo mundo dorme junto nesse quarto e os outros é pras "coisas". Ok.
As crianças imundas, mal vestidas e mal alimentadas, jogando comida na TV de 1000 polegadas, de plasma que qualquer cidadão brasileiro adoraria comprar em 10x sem juros nas casas bahia e colocaria num pedestal pra que nada acontecesse com mais um membro da família, aqui, como tudo é muito barato não há valor, e aquela cena me dava vontade de chorar, pensava com meus botões: - pobre de meu pai que iria amar assistir o joguinho dele do Botafogo numa TV dessas, onde os jogadores teriam o tamanho real.
Saindo do meu mundo fantástico de Livia e voltando pra casa da senhorita. Ela apresentava a casa e dizia: ta vendo você não terá muito o que limpar, é só o básico. - As crianças amam o Bob Esponja, você coloca ai na TV e pronto eles ficam lá por umas 5 horas sem atrapalhar. - Eles comem batata frita de pacote e miojo o dia todo, pode dar chocolate também. - Ah, tem um detalhe, meu irmão de 18 anos fica em casa o dia todo!
Essa última foi o ponto final pro Tony, ele olhou pra minha cara fulminando, e graças a Deus, tocou o telefone e ela foi atender nos deixando sozinhos. O Tony queria levantar e ir embora e eu pedindo pra ele calma, que eu ia dar um jeito de encerrar a entrevista e sair educadamente.
A moça voltou, quando ela começou a continuar a explicação da rotina louca da casa dela, na primeira frase, meu marido muito educado interrompeu: - me desculpa interromper, mas a gente tem que ir embora, minha esposa tem outra entrevista e eu não quero que ela se atrase.
Fiquei com a cara no chão! Mentiroso!!!! Quando entramos no carro ele olhou pra minha cara e tivemos uma crise de risos e revolta... Risos porque ficamos imaginando a nossa cara enquanto a fulana falava, e porque estávamos os dois há 15 minutos prendendo a respiração, porque o fedor era dos piores... Revolta porque essas pessoas não tem nem desculpa pra viver nessa sujeira, e porque a vontade que eu tive foi de ser a Livia assistente social e meter bronca nessa família...
Bom, essa foi só uma das famílias... Mas ninguém pode dizer que não estou vivendo aventuras perigosas por aqui, afinal a Selva Amazônica me parece mais segura e com menos propensão a doença que a casa dessa fulana.
Hahahahaha, figura!!!! Pois é, porqueira é estado de espírito, nada tem a ver com a conta bancária. Senti o cheiro só de ler. Irrrrc!!! Beijinhos!
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